Eu não quero ser excelente em nada

Ontem fui ao teatro e apesar de estarmos no terceiro mês do ano, aquele foi o 205º espetáculo assistido. è que estive curadora de uma Mostra e um Festival, algo muito bacana e que me fez reapaixonar pela profissão que escolhi para vida, mas que por diversas razões não é uma escolha fácil e por isso estamos assim, meio distantes... Mas ontem, sentada na fileira I, na poltrona 19, do Salão de Atos da PUCRS, no meio dO Avesso da Pele eu peguei meu celular - o que eu mesma considero o fim - e escrevi um lembrete:

EU NÃO QUERO SER EXCELENTE EM NADA

É contraditório, porque não é sobre a excelência em si, mas sobre a unica condicional de ser uma pessoa negra em certos espaços, práticas e profissões. Um cansaço sem fim!

Apesar de já ter lido o livro de Jeferson Tenório, a montagem teatral acessou lugares muito, muito, muito sensíveis e eu fiquei revirada, querendo sair correndo em direção a mim, ao meu avesso, a aquilo que eu sou quando não tenho que ser uma resposta. E um sentimento que eu sei que pessoas diferentes acessam, mas aqui mergulho num EU que ficou perdido, massacrado, machucado na pandemia. E ao mesmo tempo a adaptação aos modos de trabalho da pandemia me 'oportunizou', na falta de palavra melhor, acessar outros lugares, mas a que preço? Assim como Henrique parece que na véspera da pandemia eu havia dado a minha melhor 'aula', realizado a minha melhor cena, escrito o meu melhor texto.

O ar me falta. Literalmente. Tenho pensado que um diagnóstico talvez alivie esse peso no peito, a falta de ar, a expectativa dos outros e minha também de dar conta da continuidade de um projeto de vida, de arte, de discurso que esta sempre ansiando novidade e inventividade e eu só querendo me sentar, relaxar, ficar quieta, transparente. 


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