Feia

 Tem dias que eu me olho profundamente no espelho e repito que não vou mais não não me importar com a feitura. Isso mesmo, não-não, ou seja, começarei a me importar. Não sairei feia, não estarei feia, não vestirei roupa feia mas aí vem o outro dia e acordo feia, me sentido feia, sendo feia, alma feia, palavra feia, autodepreciativa...Oh coisa feia. 

É comum olhar fotos de épocas que eu me achava intimamente feia, porque publicamente jamais fiz o que estou fazendo agora, me colocar num lugar que autoriza o outro ao meu menosprezo, mas dado que agora tenho terapia encaminhada pelo plano acho que posso aflorar o que de tão podre me apodrece, para ver se quem sabe fertilizo uma semente oculta no peito e trago uma bela flor, fruto da beleza pueril da juventude que não tenho mais. Nessas fotos antigas onde me achava feia na época vejo que estava linda, linda mesmo, é que o que era feia era a pressão estética onde todo mundo tem que ser assim, assado. Agora todo mundo quer ter lábios como os que eu sempre tive, cachos como os que eu tentei relaxar, que loucura né? Mas as marcas no rosto? Essas ninguém nunca quis... A proposta constelação do meu céu, no meu eu, cheia de marcas porque cheia de ansiedades. Que coisa mais feia... Já não tô me sentindo feia como sentia quando comecei a escrever, mas uma bruxa, maldita e cavalona maravilhosa. Que me perdoem as bonitas, mas feiúra é fundamental. 

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