Revolução dos Cravos

Calma, em algum momento chegarei em Portugal.

Eu tenho uma condição horrível que atrapalha muito a minha vida: eu maltrato a minha pele... DO ROSTO. 
Eu não fui uma adolescente cheia de espinhas, pelo contrário, minha pele na adolescência era o famoso pêssego, lisinha e com aquela penugem graciosa, quase um rosto infantil. Minhas espinhas, que já foram protagonistas de tantos trabalhos meus, mesmo que com outros nomes, só apareceram aos meus 22 anos, concomitante a minha entrada na Universidade, porque o universo compensa as coisas boas que cede, tirando outra. Durante esses 15 anos de uma pele que ninguém pediu a deus nunca, absolutamente nunca, me tornei refém de skin Care ou de soluções malucas. Fiz a higiene que tinha que fazer, passava creminhos vez que outra, mas nada enlouquecedor, porque assim, se olhar bem, muitas pessoas belíssimas  somente o são porque estão sempre bem lapidadas por camadas e camadas de maquiagem, algo que nunca aderi (mais por não saber usar do que por algum discurso). Acontece que meu pai, que deus o tenha, sempre fez questão de deixar claro em suas sutilezas o quanto eu estava horrível, as dermato que fui sempre me receberam de maneira tão acolhedora que jamais consegui voltar na mesma para atualizar humilhações. Quanto ao meu pai, que deus o tenha, tantas vezes pensei em jogar na cara dele que a pergunta certa não era se eu precisava de um creme, mas se a minha alimentação estava em dia... Não vou adentrar aqui, só quero dizer que sim, tenho espinhas, mas mais que espinhas tenho marcas no rosto de quem cutuca espinhas e se eu cutuco não é porque eu mereci, é porque quando eu vejo já foi. Se surge um problema, minha mão corre para o rosto e o que eu posso ter mantido intacto por meses escorre pelo ralo em segundos. 

Dito isso, hoje é dia da revolução dos cravos e eu juro que eu não queria e nem quero um trocadilho tosco desse, só calhei de lembrar que o único período desde 2009 em que eu não tive espinhas e nem marcas e a pele ficou lisinha como um pêssego foi em 2019, quando fiz o intercâmbio para Portugal, que foi a maior experiência da minha vida até agora.

Nesse instante parei a escrita e me critiquei. É triste, é vergonhoso e as pessoas se sentem confortáveis de me dizerem coisas horríveis que eu já sei.

Tem um detalhe... Sou atriz. Tento construir minha caminhada com o meu trabalho e não com a minha imagem, diferente da hilária Nicole Bahls, infelizmente não sou uma embalagem, mas não tenho ilusões com esse mundo... Tenho, né, mas não quero ter ilusões. Enfim, volto ao início: tenho uma condição horrível que atrapalha muito a minha vida e em breve entrarei num novo set e apesar das ótimas maquiadoras que tenho certeza que estariam disponíveis, já fico engatilhada pensando inclusive nas 'dicas' e comentários 'inéditos' que posso ouvir. Meu plano comigo mesma é tentar de maneira absurda não comprometer mais minha pele por dois meses até que comece e acabe a temporada de gravação... Vocês não fazem ideia do que é ser um erro de continuidade. O vermelhão, o sangramento, a vergonha. 
...
Em abril de 2019 eu estava nas ruas com os movimentos sociais do Alentejo cantando cantes que enalteciam Catarina Eufemia, uma mulher do campo, comunista, que é símbolo da luta contra o fascismo em Portugal. Foi um período importante, onde pude por 6 meses da vida adulta ser 'só' estudante. 

As vezes é férias que a gente precisa.

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