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Mostrando postagens de maio, 2024

Taxímetro

Não reconheci a estrada que deveria estar me levando para casa. A chuva forte e os vidros embaçados já são tão corriqueiros que não saber é um mero detalhe, mas por um instante meu coração acelerou e tive um medo diferente de todos os muitos medos que venho sentido desde que o rio grande do sul começou acabar: este homem em seu carro pode me fazer algum mal se assim decidir. Tenho dito e escrito que nenhum mal pára de ocorrer porque outro novo e gigante se instaurou, mas acontece que vamos esquecendo, nossa mente acaba sendo tomada pelo desespero que é viver num lugar que chove e desola que parece que não existe cérebro para outra atenção.  Comecei a escrever para fugir deste medo. Há muito tempo ensaiei um texto chamado taxímetro, onde viajava na viagem perigosa a ambos que é uma corrida, mas como muita coisa que comecei, ela parou no caminho. Escrevi para me distrair e agora já reconheço o bairro em que estou. A chuva também já não é tão marcante. A defesa civil envia novo SMS av...

Não vai lá!

 - Não vai lá! Sabem nos filmes de suspense e terror quando a protagonista faz uma coisa muito burra e a gente do outro lado da tela se descabela dizendo NÃO VAI LÁ, pois hoje é 23 de maio de 2024 e nós gaúchos somos todos essa mocinha burra e somos os espectadores também do que virou a nossa vida. Ao mesmo tempo que temos que voltar a ter uma rotina para resgatar o que há de resquicio de normalidade em nossas vidas, é bem estúpido, burro, cruel e puro suco do sistema em que vivemos sair para ser produtivo da porra nenhuma. Todo mundo que está mais ou menos atento está se estragando ficando cronicamente online atualizando a metsul. É um tal de sobe e desce do guiaba, medição errada, liga bomba, desliga bomba e os bueiros cuspindo agua podre, pra dizer de forma doce. Temos uma crise de lideranças também, tem gente que só leva a sério o CORRA! se uma autoridade disser e elEs nãO diZem nAda, esperam a autogestão, menos por confiança e mais por não saberem o que fazer.  No fim do ...

Terrorismo Socialite

Há uns bons 13-14 anos comecei elaborar um pensamento que poderia já ter sido legitimado em uma dissertação de mestrado ou em uma performance. Quanto ao mestrado, a única vez que tentei, tentei tentando me passar por uma pesquisadora de coisas sérias e sendo assim, não deu. Um dia quem sabe. Não que não haja seriedade, mas sou um pouco fora da curva como só alguns podem ser. Outra hora falamos disso. Uma vez uma galera que organização um festival de apartamento - que época boa aquela das performances em apartamento - me propuseram de levar esse conceito para uma arena, mas eu não estava pronta e acho que a coisa é mais forte enquanto fantasma do que se tentarmos representá-la. Exemplificarei. Ontem na TV falando sobre as enchentes que destruíram grande parte do Rio Grande do Sul, deixando dezenas (por enquanto) de vítimas fatais, centenas de milhares de pessoas desalojadas, casas, empresas, indústrias, teatros, bancos, bibliotecas, museus, tudo de tudo debaixo d'água, uma terrorist...

15 de maio de 2024

Tinha uma entrega profissional que já havia sido postergada em função do todo e o prazo era hoje. De madrugada acordei para trabalhar. Consegui. Tenho sentido vergonha de não conseguir. Vergonha de conseguir.  Uma ânsia de vômito que nunca mais foi embora. Choro às vezes e a vergonha vem de novo.  Dia 06/05 seria minha primeira sessão de terapia desde a pandemia. Eu tenho muita vergonha dos sentimentos que tinha que me fizeram procurar a terapia de novo, na minha cabeça sofrida de tanto pensar é como se o universo (veja como me dou importância) estivesse querendo me dar uma lição sobre meus desejos que eu já sabia que não eram bons. eu sentia falta do isolamento. Não a obrigatoriedade dele e nem a doença, por favor, mas acessar algum silêncio mesmo que na verdade o barulho nunca tenha cessado. Eu juro que não quero chamar atenção para mim. Estou escrevendo aqui onde ninguém lê (mas que uma hora poderão, não é mesmo, me sopra o intrusivo homônimo no ouvido). ... não acho justo ...

Aí tinha um cavalo...no teto

Acordei hoje com uma crise de ansiedade ou melhor, não sei, não posso me autodiagnosticar, mas o meu corpo tremia e a sensação era de gelo por dentro da pele, o coração eu conseguia sentir até nos cabelos. Quando fiz o intercâmbio há 5 anos, eu tinha aqueles pesadelos, não lembro o nome, mas que você acorda vendo o capiroto e tem certeza que vai morrer. Eu nunca contei para ninguém, mas eu pedia para o universo para não morrer na Europa. Uma vez uma sirene soou e eu novamente pedi que não morresse na Europa, falei em voz alta, me perguntaram porquê e eu disse que eu não constaria em lista alguma, ninguém me procuraria. Estou debochando dos meus medos porque é quase impossível encarar com mais seriedade ainda. Moro em São Leopoldo, uma cidade da região metropolitana do Rio Grande do Sul, uma das 417 QUATROCENTAS E DEZESSETE CIDADES atingida pela enchente. É um número alto demai, triste demais, doloroso demais, Neste momento, no twitter, o fumodromo da internet, noticias de saques, de as...

Sete de maio de 2024 no Rio Grande do Sul

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@sirvanada Hoje é aniversário de 83 anos da enchente histórica de 1941 em Porto Alegre. Quem nela nasceu, meu caso, cresceu ouvindo sobre como a rua da praia, o entorno do mercado público, estiveram após uma chuva de 24 dias envoltos em água. Hoje também é meu aniversário de 38 anos. Um aniversário esquisito. Criei esse blog há cerca de dois meses para retomar um prática que sempre foi muito importante para mim e porque queria ter uma rotina de escrever de maneira livre, com erros gráficos e humanos.  eu queria escrever mais, mas não veio.
 As pessoas Escrevem assim Rupikaurmente Porque não Sabem Onde por a vírgula E assim Ninguém espera Que ela Vírgula Apareça

Sobre esse dia de chuva

Na última quimioterapia eu acompanhei meu pai e ouvi da médica que estava tudo bem, que os resultados obtidos eram os esperados, mas que por garantia ela ia solicitar algumas sessões de rádio porque o câncer que ele teve poderia migrar para cabeça.  Meus pais me fizeram adultecer muito cedo. Não sei se adultecer, mas lidar com assuntos reais, palpáveis e nada fácil. Quando passei para a quarta série (hoje o terceiro ano), já tinha mais escolaridade que eles, então, já 'entendia de papéis'. Depois da separação, meu pai muitas vezes desabafou comigo e dizia que eu tinha uma cabeça boa para aconselhar. A vaidade me prendeu em um lugar que genuinamente nunca quis estar.  ... Como essa última consulta do pai era importante eu gravei para partilhar com a esposa dele e minha irmã, para todo mundo saber dos próximos passos, porque o pai poderia esquecer.  ... Hoje, nessa chuva que está devastando o estado, após ter enviado mensagem para gerente avisando que não vou ao meu emprego...

Enchentes no Rio Grande do Sul

O título não é poético porque não tem o que extrair de bom de um estado de calamidade pública. Rio Taquari subiu mais de TRINTA metros, a cheia histórica desde que iniciou a medição. Em setembro do ano passado uma ponte linda, histórica foi levada pela enchente. No início deste ano foi reinaugurada a ponte de Nova Prata do Sul, ponte essa que foi reconstruída pelo povo habitante da região, através de doações e ações entre amigos. O vídeo das pessoas atravessando é possivelmente o vide mais emocionante que vi esse ano.  O rio já está na altura dessa ponte de novo. Ontem eu já sabia que hoje eu não iria ir até meu emprego. 1. Porque a função para que fui contratada é impossível realizar 2. Porque meu senso de autopreservação é grande 3. Porque a ansiedade* é gigante. Não tenho o direito de falar de maneira mais aberta para que outros não se coloquem em risco, porque não ir ao emprego também é colocar-se em risco e é sobre esse mundo/sistema de merda que... Sei lá. Eu sei que vou avis...