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Mostrando postagens de abril, 2024

Ouvindo Poema, na voz do Nei

Soube nos fumódromos da internet esta semana que duas mulheres, mãe e filha, estão vivendo em um MC Donalds no Leblon. Pelos boatos as duas apesar de vulneráveis não foram chutadas porta fora, pelo contrário, são elas as pessoas que ameaçam com processo de importunacão. Em alguns lugares dizia que elas vivem nessa situação há 3 meses e outros lugares que há dois anos. Cogitei ser performance ART, mas daquelas que somente pessoas brancas podem fazer pois por muito menos pessoas racializadas são, bem, vocês sabem o quê... Há dois dias em Porto Alegre aconteceu um incêndio em uma pousada que está em um bairro central, cercado dos mais variados tipos de vulnerabilidades. Nesta pousada, que tinha um convênio com a prefeitura (mas não um PPCI, incrivelmente) dormiam pessoas que eram assistidas pela FASC, trabalhadores da coleta, prostitutas e quem mais pudesse dispor de 550 reais mensais por um teto/mês.  Trabalho em uma rede de bibliotecas de uma instituição com vocação social ou seja, ...
 Tudo um dia recebeu um nome que alguém deu. Clarabóia.

Revolução dos Cravos

Calma, em algum momento chegarei em Portugal. Eu tenho uma condição horrível que atrapalha muito a minha vida: eu maltrato a minha pele... DO ROSTO.  Eu não fui uma adolescente cheia de espinhas, pelo contrário, minha pele na adolescência era o famoso pêssego, lisinha e com aquela penugem graciosa, quase um rosto infantil. Minhas espinhas, que já foram protagonistas de tantos trabalhos meus, mesmo que com outros nomes, só apareceram aos meus 22 anos, concomitante a minha entrada na Universidade, porque o universo compensa as coisas boas que cede, tirando outra. Durante esses 15 anos de uma pele que ninguém pediu a deus nunca, absolutamente nunca, me tornei refém de skin Care ou de soluções malucas. Fiz a higiene que tinha que fazer, passava creminhos vez que outra, mas nada enlouquecedor, porque assim, se olhar bem, muitas pessoas belíssimas  somente o são porque estão sempre bem lapidadas por camadas e camadas de maquiagem, algo que nunca aderi (mais por não saber usar do que...

Alzheimer

Domingo último levei a mãe para passear no shopping. Era seu aniversário de 68 anos. Antes de maiores julgamentos de porque um shopping, sobretudo se você não convive com pessoas com alzheimer, informo que é porque tem variadas comidas, pessoas e principalmente porque qualquer direção que a gente passeie o banheiro esteja a poucos metros. Estávamos de mãos dadas. Eventualmente a mãe se perguntava onde eu estava, mesmo eu estando ali, na continuação da sua mão. Quando pensei em contar a outras pessoas sobre essa sensação de confusão e vazio imenso que dá, lembrei de uma circunstância que já me ocorreu, de procurar um óculos que está no rosto ou usar a própria lanterna do celular para procurar o celular que está na mão, essas pequenas confusões que acontecem com todo mundo. Acontecem com todo mundo? Foi justamente imaginando que ao contar isso alguém me dissesse que isso jamais lhe aconteceu que acessei um vazio de novo.  O alzheimer chegou na minha família há pelo menos uma década. ...
  Quando for conhecer alguém novo proponho que faça uma brincadeirinha para distinguir quem possa ser problema. Peça para a pessoa fazer duas colunas escrevendo numa quem namorou e na outra as pessoas que namoraram ela. Se antes de escrever a lista das que namorou ela perguntar "fora você?" levante e corra. Se no meio da corrida você decidir olhar para trás e a pessoa estiver gargalhando e mexendo a boca como quem diz e r a b r i n c a d e i r a, é possível voltar e tomar uma cerveja. Não abandone seu copo jamais. Se no meio da corrida você olhar para trás e a pessoa estiver correndo atrás de você corra mais ainda. Agora faça as suas listas e entenda as pessoas que correram de você.
Na minha lápide FUI INSUPORTÁVEL MAS AMAVA A MINHA PERSONALIDADE

No tibicuera tem pancinha, no de literatura pintinho

 apesar das bobagens aqui escritas (e digo bobagem com todo respeito amo/sou), aparentemente sou uma das autoras do livro do ano, do prêmio Açorianos de literatura de 2023. Ou é 2024? Agora me surgiu a dúvida... É 23, né, só a cerimônia que foi em 24. Vou pesquisar, não quero dizer besteira de forma legítima, só besteira de forma vaga, sem comprometer ninguém. Esse espaço aqui é sobre liberdade, tal qual o livro que nos agraciou com um Xico Stockinger. Um não, dois. 
 Aquele sonho morreu, nós só estamos nos negando a enterrá-lo. O cheiro do seu corpo putrefato nos consola porque, mesmo podre, ainda é o seu cheiro.

O terceiro ovo

você vai fazer um bolo e a receita diz três ovos, mas você faz só com dois e o bolo fica bolo. Eu quero ser como um terceiro ovo. Se estou ótimo, se não estou, beleza. um artista só é realmente relevante quando alguém faz uma crítica negativa. Nunca recebi uma crítica, um olhar apurado que fosse um pouco além do "necessária, representatividade, importante"... pra mim isso é um terceiro ovo, não fez como tanto faz.  Dois pesquisadores em momento distintos me entrevistaram e falei que queria uma hora dessas receber uma crítica negativa e olha que ja fiz trabalhos especialmente para isso, mas as pessoas não negras tem medo (e estão certas) de serem racistas ao falar algo ruim do trabalho, mas isso só acontece também porque elas não estão olhando de verdade, porque a nossa pele chega antes e então nos elogiam demais e fica aquela dúvida de será que essa pessoa duvidava tanto assim de mim que ultrapassar a sua baixa expectativa a surpreende? Como veem, o racismo come nossos miolos...