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Mostrando postagens de março, 2024

As vezes a gente é a Pam

De qual Pam estamos falando? Daquela. A que é sonsa, cheia de sonhos não resolvidos - porque esse mundo é uma bosta - e toda energia que deveria ser usada para mudar um pouco a sua situação de recepcionista da dunder mifflin é usada para debochar dozotro com aquela cara sonsa. 

O segredo do ilusionista é fazer todo mundo olhar para a mão esquerda enquanto na direta surge uma moeda

27 de março de 2024 Hoje é aniversário da cidade que nasci mas não vivo. Hoje também é celebrado dia mundial do teatro, profissão que escolhi, estudei, me qualifiquei mas não atuo.  É bem verdade que vou a Porto Alegre pelo menos uma vez a cada 15 dias e que mesmo não vivendo unicamente de teatro como a maioria dos garçons e garçonetes dos bares boêmios do mundo, ainda sim faço lá minhas pontas, minhas participações, minhas curadoria dessa patologia que me assola, mas queria que fosse mais e que quando fosse, fosse digno, o que já é uma outra história.  Porto Alegre me dói, nem entrei no mérito Não diga a ninguém. Sobre Porto Alegre e sobre teatro sigo silenciosamente os dias adultos em que a gente faz o que dá, como diz Dedé Secco. A gente não é o que a gente quer ser. A gente é o que a gente consegue ser. 
 É tão fácil gastar dois mil reais  É tão difícil ganhar um mil 

Não procure análises científico-sociais no fumódromo

 Tem uma coisinha muito cultura gaúcha que é por o sobrenome como nome nos estabelecimentos comerciais, escritórios. Não sei se no resto do BR é assim e até suponho que não porque aqui residem aqueles que tem 'aqueles' sobrenomes. Não vou entrar no porquê isso acontece porque não é nas vielas de um blog de crônicas que vamos analisar isso, até porque não sou qualificada, mas acho que meu achismo é certeiro.  Pobre dos Regos da Silva que tem que ser criativos. 

Feia

 Tem dias que eu me olho profundamente no espelho e repito que não vou mais não não me importar com a feitura. Isso mesmo, não-não, ou seja, começarei a me importar. Não sairei feia, não estarei feia, não vestirei roupa feia mas aí vem o outro dia e acordo feia, me sentido feia, sendo feia, alma feia, palavra feia, autodepreciativa...Oh coisa feia.  É comum olhar fotos de épocas que eu me achava intimamente feia, porque publicamente jamais fiz o que estou fazendo agora, me colocar num lugar que autoriza o outro ao meu menosprezo, mas dado que agora tenho terapia encaminhada pelo plano acho que posso aflorar o que de tão podre me apodrece, para ver se quem sabe fertilizo uma semente oculta no peito e trago uma bela flor, fruto da beleza pueril da juventude que não tenho mais. Nessas fotos antigas onde me achava feia na época vejo que estava linda, linda mesmo, é que o que era feia era a pressão estética onde todo mundo tem que ser assim, assado. Agora todo mundo quer ter lábios...

Eu não quero ser excelente em nada

Ontem fui ao teatro e apesar de estarmos no terceiro mês do ano, aquele foi o 205º espetáculo assistido. è que estive curadora de uma Mostra e um Festival, algo muito bacana e que me fez reapaixonar pela profissão que escolhi para vida, mas que por diversas razões não é uma escolha fácil e por isso estamos assim, meio distantes... Mas ontem, sentada na fileira I, na poltrona 19, do Salão de Atos da PUCRS, no meio dO Avesso da Pele eu peguei meu celular - o que eu mesma considero o fim - e escrevi um lembrete: EU NÃO QUERO SER EXCELENTE EM NADA É contraditório, porque não é sobre a excelência em si, mas sobre a unica condicional de ser uma pessoa negra em certos espaços, práticas e profissões. Um cansaço sem fim! Apesar de já ter lido o livro de Jeferson Tenório, a montagem teatral acessou lugares muito, muito, muito sensíveis e eu fiquei revirada, querendo sair correndo em direção a mim, ao meu avesso, a aquilo que eu sou quando não tenho que ser uma resposta. E um sentimento que eu se...
 Agora que meu algoritmo já esqueceu de ambos posso falar com tranquilidade que acho ASMR muito pior que NPC  (não estou falando de quem faz isso profissionalmente, mas de quem entrou na onda e faz de qualquer maneira) 
 É muito constrangedor ser uma sonhadora em modo público, sobretudo quando o entorno não consegue sequer dormir 
Poderia existir um dispositivo que fizesse pipipi quando a gente estivesse se aproximando de algo ou alguém cheirando um perfume ~de muitos decibéis~ né? Aí a gente só desviava e enxaquéquicos literalmente evitariam dor de cabeça.

sentimentos estranhos para se ter sobre bichos

mas cada um, cada um. Me ocorreu agora uma dúvida do porquê chamamos animais de bichos, será que é para separar da categoria animal humano? Um busca rápida no Google resolveria, mas também acabaria com a maioria dos textos que escrevo e escreverei por aqui, inclusive que meus textos seja a entrada do grande menu servido pela Google, ou seja, se te causar curiosidade para ir além (nem que seja para voltar aqui me contestando e jogando as quatros patas por cima - cês não faria isso, animais racionais que são, né), já terá valido. Hoje uma moça na estação viu uma aranha e disse: que nojo! E é porque essa aranha, essa mulher e esse nojo existem que estou aqui na plataforma com o assunto do dia. A propósito, há cerca de uma semana decidi voltar a ter blog, coisa que ninguém nunca mais começou a ter mas alguns resistentes das duas décadas passadas continuaram a manter. Eu tinha, eu amava, eu brincava muito com os blogs, mas aí veio a vida acadêmica e o julgamento, o auto julgamento também, q...

A sós nesse mundo incerto

Sonhos bons também podem ser pesadelos. Estou falando dos sonhos aqueles que a gente tem quando dorme mesmo. Nesta noite sonhei que minha mãe, que tem alzheimer, estava lúcida Acordei. Que angústia acordar depois da alegria do sonho, de poder interagir com ela com uma distância um pouco menor que o deserto que hoje frequentamos. Fui visitá-la no lar. Ela estava divertida. Disse meu nome muitas vezes, me chamou de filha e logo depois esqueceu de mim e logo depois lembrou e esqueceu, como ouvi dizer que são os peixes.

De tudo que gosto serei meia boca

 Acabei de cruzar com um tweet, um tuíte, um xuite... Oh céus! Acabei de cruzar com cerca de 200 caracteres que diziam que se devia normalizar o fã meia boca, que conhece só um pouco do que gosta e lembrem, para quem foi adolescente ali pelos dois mil, rolava uns absurdos de você dizer 'sou fã de fulano' e ozotro esperarem que você conhecesse até a tia avó da madrinha do roadie da banda, se não você não era tão fã assim. Há boatos que existem uns meninos de mais de quarenta anos que ainda insistem nessa postura num ritmo especifico, mas como não quero comprar briga com ninguém, não darei mais detalhes. Se o chapéu serviu, relaxe, gente, tem muita coisa surgindo o tempo todo, não precisamos ser autoridades das coisas que gostamos, a menos que esse seja o nosso trabalho aí sim. A propósito, tenho pensado em estudar história da arte, mas já parei de pensar também. É que quanto mais a gente conhece aquilo que a gente gosta, mais deixa de gostar, então é bom manter uma distância seg...
massagem ayurvedica proporciona a maravilhosa  sensação de se sentir como um tomate confit

Dentes e outros podres

 Esse título está na minha mente há anos. É para um livro de contos. Um dos contos se chamará "Hígido" e é nele que se encontrará a ideia do título.  Agora escrevia numa rede sobre a alegria imensa que senti vendo a minha dentista (não minha, mas que me atende), sendo uma das intérpretes do samba-enredo de uma das escolas de samba aqui da cidade que moro. Minha dentista (não minha, mas que me atende) é mais importante para minha saúde mental que a psicóloga. Na primeira vez que entrei no seu consultório falei sobre minhas dores e traumas, sobre meus dentes e outros podres e ela me acolheu e ressignificou uma parada muito, muito, muito traumática. Eu tinha uns seis anos e recém tinha entrado na escola, tudo era novo. A escola foi um ambiente muito controverso, mas aos seus anos era um lugar que eu amava. Uma vez os dentistas que atendiam na escola foram até a minha casa e lá eles olharam nossas bocas. Nossas: minha e de minha irmã. Após muitas anotações e numerações que locali...

A figurinista do Tadeu Schmidt

 Tenho ficado desconfiada com a quantidade absurda de testemunhas de Jeová que tenho visto pelas esquinas. Em cada esquina da cidade que moro há uma farmácia são João, um viralatas caramelo e duas duplas de testemunhas de Jeová, duas mulheres de um lado, dois homens do outro.  Primeiramente, nada de intolerância religiosa aqui, muito embora as testemunhas não se vem como religião. Não vou entrar no mérito disso e nem quero dar margem para que aqui se torne palco de doidices. Meu ponto é o figurino. Observando bastante, tanto quanto somos observados por eles... talvez não tanto, afinal eu tenho um emprego CLT durante 8 horas por dia, na escala 5x2, mas observando o dress pode sempre tem algo que não encaixa, uma peça que me lembra muito peça teatral da escola, onde a gente tem um baú de roupas e com elas precisamos resolver, improvisar. Então sempre tem um paletó maior, uma boina de lá para fazer um adolescente de 17 atuar como um vovô, ou seja, a roupa, o figurino, entrega a f...

Chame o psicólogo (não tem graça toalha de picnic)

 a minha eu do presente conversou olho no olho com a minha eu do passado, pandêmica, é só assim consegui fazer meu levanta e anda para esse dia quente de bem viver a vida em comunidade. O rio grande no sul é muito quente quando decide ser e ele tem decidido bastante. Ele é muito quente, muito frio, muito chuvoso, muito seco e muito racista. É uma roleta de boa noite e boa sorte. Esta semana tive a certeza que preciso voltar a consultar com psicólogo, algo que iniciei e parei na terapia por muitas circunstâncias e me fez bem e mal por outras tantas circunstâncias, mas a análise que fiz até então e que constato que preciso de ajuda e que senti saudades. Não do horror obviamente, mas de não ter que ver/falar tanta gente e talvez esse desgaste enorme das relações tenha algum diagnóstico ou forma de aliviar. Não quero ter algo, só quero não me sentir tão mal por me sentir mal e na versão de luxo, até achar meios de me sentir bem.   O levanta e anda é tantas camadas para além d...

É só isso, não tem mais jeito, acabou, boa sorte

 não tenho o que dizer, são só palavras e o que eu sinto não mudará. ... no mês que mais tive descontos desde que entrei na firma, mês que olhei meu contracheque e tive vontade de chorar, também foi o mês que no meu intervalo de almoço, do dia seguinte ao que meu caraminguá entrou na conta, entrei numa loja de roupas e comprei duas jeans que nem estavam no meu planejamento. antes de qualquer coisa preciso dizer que a aquela ideia de que mulheres compram muitas roupas e tal não tem nada a ver comigo e só por isso essa história vale a pena ser escrita. Ok, talvez eu esteja superestimando mas, queria ver se é essa conclusão é só minha: nós pobres, quando estamos muito afetados pela falta de dinheiro, cometemos mais gastos nada a ver do que em outras situações. Desconfio que seja uma maneira de retomar o poder sobre a gente mesmo, só que de forma equivocada, dado que não retomamos poder nenhum e digo mais: que poder, dona fulana? No entanto, apesar disso, a matemática das garotas me ab...